Dr. Sidnei Epelman

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Resultados comprovam sobrevida maior e com mais qualidade de vida em crianças com tumor raro e fatal no cérebro.

 

São Paulo, 22 de maio de 2015 – Pela primeira vez, oncologistas pediátricos brasileiros apresentarão dados clínicos do estudo Polaris, pesquisa que revelou benefícios inéditos para crianças com um tumor raro no cérebro, o glioma de ponte, câncer que ainda não tem cura.
Considerando a fatalidade da doença e sua agressividade, a melhor notícia é que ainda há pacientes vivos após dois anos do término do estudo.

O estudo foi feito com a população brasileira e avaliou se o medicamento nimotuzumabe, associado à terapia tradicional (radioterapia), traria benefícios às crianças recém diagnosticadas com a doença. Nimotuzumabe é um anticorpo monoclonal que age no receptor da célula (chamado EGFR) impedindo sua multiplicação.

A pesquisa, que contou com o apoio da Eurofarma, comprovou que esta associação proporciona aumento na sobrevida dos pacientes e, além disso, que o tratamento foi bem tolerado, ou seja, sem significativos efeitos colaterais, permitindo que na impossibilidade de cura, o tratamento proporcione qualidade de vida ao paciente.

Estes e outros resultados clínicos da pesquisa serão apresentados no Congresso Americano de Oncologia Clínica (Asco), o mais importante congresso mundial de oncologia, a ser realizado entre os dias 29 de maio e 2 de junho, em Chicago, nos Estados Unidos.

“É de suma importância esse estudo em uma doença tão devastadora. Nós ficamos muito felizes com os resultados. Uma porcentagem da população tratada com a medicação foi beneficiada e nós poderemos compartilhar nosso resultado em um congresso tão importante como o da American Society Clinical Oncology”, explica o oncologista pediatra Dr. Sidnei Epelman, diretor do Departamento de Oncologia Pediátrica do Hospital Santa Marcelina, presidente da Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (TUCCA) e investigador principal do estudo brasileiro.

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Embora raro (corresponde a cerca de 10% dos tumores cerebrais em pediatria, menos de 200 casos por ano), o glioma difuso intrínseco de ponte, tumor de sistema nervoso central em crianças, é aquele que apresenta a pior evolução, independente dos esforços da comunidade científica. Na maior parte das vezes, as crianças não sobrevivem mais de nove meses após o diagnóstico.

O nimotuzumabe, à exemplo dos anticorpos monoclonais, atua com menos efeitos colaterais em relação aos quimioterápicos por ser uma terapia-alvo, que atua em sítio específico diretamente no glioma. Outros estudos com o nimotuzumabe, para diferentes indicações oncológicas, estão em andamento ao redor do mundo, inclusive no Brasil, como para o tratamento do câncer de esôfago e de colo do útero. Atualmente nimotuzumabe está aprovado no Brasil como droga órfã para o tratamento de crianças com um tipo de tumor no sistema central que não responderam ao tratamento inicial (de primeira escolha).

 

Sobre o Dr. Sidnei Epelman

Oncologista pediátrico há mais de trinta anos, tem especialização em Pediatria pelo Hospital A.C. Camargo. Fez estágio em conceituados centros de oncologia pediátrica no exterior, como MD Anderson Cancer Center, Mayo Clinic, St. Jude´s Research Cancer Hospital e National Cancer Institute.

É fundador e presidente da Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (TUCCA). Atualmente, é diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Hospital Santa Marcelina e coordena os grupos cooperativos para tratamento dos tumores cerebrais da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE). Também ocupa a presidência, no Brasil, da Rede Internacional para Tratamento e Pesquisa do Câncer (INCTR, na sigla em inglês) atuando na coordenação de programas em Oncologia Pediátrica e Cuidados Paliativos no mundo e na gestão de pesquisas clínicas em oncologia.

Além de ter vários trabalhos premiados no Brasil e no exterior e participado de dezenas de congressos, encontros e simpósios, recebeu por dois anos consecutivos o Prêmio Análise de Medicina e é jurado do Prêmio Saúde, da Editora Abril, na Categoria Saúde da Criança. Mais recentemente, foi editor do livro “Oncologia no Adolescente”, a prima obra no Brasil dedicada a tratar o câncer na adolescência.

 

 

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