Paciente em tratamento contra o câncer descobre terapia ao recuperar Barbies jogadas no lixo para fazer doações

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Marlene Santana mora em Suzano e conserta bonecas, costura vestidos e acessórios. Bonecas são doadas para crianças e outras pessoas em tratamento contra a doença.

Nas mãos da servidora pública de Suzano Marlene Silva Santana, de 56 anos, as bonecas Barbie encontradas no lixo ganham uma vida nova. Desde que começou a tratar um câncer no colo do útero, há sete anos, a paciente recupera as bonecas e doa para crianças, adultos e pessoas com câncer. Marlene diz que, para ela, a atividade serve como terapia ocupacional durante o tratamento.

E tem uma razão para que as Barbies sejam as bonecas preferidas de Marlene. Segundo ela, as bonecas são leves e as roupas são pequenas, menos peso e menos esforço na hora de confeccionar as roupas. Condições importantes para quem trata um câncer, por exemplo. “Eu já fiz duas operações e me lembro que gostava de Barbie porque eu conseguia costurar a roupinha, que é pequena e carregar a boneca, mesmo estando operada. Cuidar delas foi a minha salvação e fico muito emocionada cada vez que dou uma boneca à alguém”, disse Marlene.

Tudo começou em 2010, quando a servidora foi dar aula em um projeto numa cooperativa de reciclagem. “Comecei reciclando uns brinquedos que tinha por lá. Eu vendia e com o dinheiro comprada alimento para os catadores”, contou. Certo dia, entre os brinquedos descartados estava uma Barbie. Marlene, apaixonada por bonecas desde criança, não pensou duas vezes: guardou a Barbie e esperou até encontrar braços e pernas para substituir as que estavam quebradas. Comprou roupas e alguns dias depois a boneca estava nova em folha. “Dai pra frente, as pessoas começaram a trazer bonecas pra mim quando achavam no lixo, na rua. Eu já encontrei várias peças também. Sempre guardo porque posso usar o bracinho de uma em outra boneca”, contou.

A recuperação demora. A servidora passa até 25 dias trabahando numa mesma boneca, dependendo do estado em que ela foi encontrada. “Teve uma boneca que levei quase um mês para conseguir desembaraçar o cabelo. E tem toda uma técnica, tem que deixar de molho no amaciante, no condicionador. Pentear com cuidado. É uma relação de carinho mesmo. De paciência, dia por dia”, detalha.

Técnicas, aliás, Marlene conhece várias. Com o tempo, ela foi testando produtos e sabe exatamente o que usar para consertar determinados tipos de defeitos. “Quando pego uma boneca, lavo, deixo de molho com produtos de limpeza. Também uso amaciante com água quente e água fria, porque o choque térmico deixa o cabelo mais maleável. Se estiver muito riscada, descobri que creme para acne e sol limpa bastante risco de caneta”, contou.

O trabalho fez tanto sucesso que, neste ano, o Lions Clube de Mogi das Cruzes Itapety arrecadou 100 bonecas velhas. Todas elas passaram pelas mãos de Marlene ao longo do ano e, neste mês, serão doadas a Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (TUCCA), em Itaquera. “Recebi a boneca em fevereiro e fui trabalhando no meu tempo. É um trabalho muito livre e feito com muito carinho.

G1 – Mogi e Suzano – 21/10/2017

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