SBP l Campanha contra o câncer que atinge os olhos das crianças tem o apoio institucional da SBP

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Você sabia que câncer de olho numa criança pode cegar e matar? Para mudar essa realidade a Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (TUCCA) e o Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, juntaram forças para fazer uma campanha em favor da conscientização e do incentivo ao diagnóstico precoce do retinoblastoma, o tipo de neoplasia ocular mais comum na infância. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) decidiu apoiar e divulgar essa causa, que tem em 18 de setembro sua data nacional.

“Trata-se de uma doença grave, cuja prevenção e diagnóstico precoces, podem ter resultados muito positivos. Não poderíamos deixar de dar o apoio dos pediatras a esse trabalho que salva vidas e oferece qualidade de vida”, disse a presidente da SBP, dra Luciana Rodrigues Silva.

Responsável por atingir cerca de 400 crianças por ano no Brasil, o retinoblastoma é um tumor que atinge, em sua maioria, crianças de 0 a 5 anos, sendo que 90% dos casos ocorrem em crianças com até 4 anos de idade. Ele é maligno e se desenvolve na retina, podendo ser hereditário ou não.

CONGÊNITA – A doença ainda pode ser congênita ou se manifestar nos primeiros anos de vida das crianças e afetar os dois olhos ou apenas um deles. Se forem bilaterais, os casos são sempre hereditários. Atualmente, cerca de 50% dos casos diagnosticados no país são identificados tardiamente, o que reduz as chances de tratamento e cura do tumor. O que pouca gente sabe é que, se a doença for diagnosticada precocemente, pode ter cura em até 100% dos casos.

“É essencial detectar o quanto antes a doença, não só para que o câncer seja curado, mas também para preservar o olho e a visão da criança”, explica dr. Sidnei Epelman, oncologista pediatra e presidente da TUCCA, uma entidade que, em 19 anos de atividade, já assistiu mais de 3.000 pacientes (crianças e adolescentes carentes com câncer, sem custos ao paciente ou à família), com taxas de cura próximas a 80%, índice 60% acima da média brasileira, igualado somente aos da Europa e dos Estados Unidos.

O ponto alto da campanha será o dia 18 de setembro, explica o dr Sidnei Epelman, também diretor do Departamento de Oncologia Pediátrica do Hospital Santa Marcelina e coordenador de grupos cooperativos para tratamento dos tumores cerebrais da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE). O grupo chama a atenção de estar atento aos sinais do aparecimento da doença.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO – O principal sintoma é a leucocoria, presente em 90% dos casos diagnosticados. A leucocoria é caracterizada por um reflexo branco na pupila, conhecido como reflexo do olho de gato. Essa mancha esbranquiçada indica que uma fonte luminosa está incidindo sobre a superfície do tumor e impede a passagem de luz. Sem a passagem de luz, as vias óticas para o centro da visão no cérebro não se desenvolvem e atrofiam.

Esse reflexo branco, muitas vezes, só é notado sob a luz artificial, quando a pupila está dilatada, ou em fotos, quando o flash bate sobre os olhos. Nos olhos saudáveis, esse reflexo é sempre vermelho. Outros sintomas que podem aparecer são estrabismo, vermelhidão, deformação do globo ocular, baixa visão e dor ocular.

Apesar de o principal sintoma ser a leucocoria, o seu aparecimento significa que a doença já está em estágio avançado e as chances de salvar o olho da criança serão menores. Antes disso, a criança já pode apresentar como sintoma sensibilidade à luz (fotofobia) ou um desvio ocular, por exemplo, estrabismo. Por isso, é extremamente importante que, ao perceberem qualquer anormalidade nos olhos do filho, os pais procurem um médico o quanto antes. O diagnóstico precoce possibilita o tratamento adequado e aumenta as possibilidades de preservar a visão e a vida da criança acometida pela doença.

NASCIMENTO – O teste do olhinho deve ser realizado logo após o nascimento do bebê e periodicamente até os cinco anos, faixa etária mais atingida pela doença. O teste é simples e pode detectar qualquer alteração no eixo visual, levantando a suspeita da existência de um tumor, que pode ser confirmado pelo exame de fundo de olho. Além do retinoblastoma, o exame pode detectar outras doenças, como catarata e glaucoma congênito.

Referência internacional no tratamento do retinoblastoma, o Centro de Atenção Integral à Criança com Retinoblastoma, do Hospital Santa Marcelina em parceria com a TUCCA, está equipado com aparelhos de última geração e oferece opções terapêuticas de ponta, como a quimioterapia intra-arterial, uma técnica minimamente invasiva, que permite a administração de doses muito menores de medicamentos e, consequentemente, menos efeitos colaterais.

O oncologista pediatra e presidente da TUCCA, dr. Sidnei Epelman, explica que o objetivo dessa técnica é conseguir salvar o olho do paciente. “É um privilégio ter a possibilidade de conseguir não só curar, mas salvar o olho da criança. O tratamento padrão é a enucleação (retirada do olho), mas com a quimioterapia intra-arterial podemos salvar o olho e a visão da criança”, completa.

Dados estatísticos sobre retinoblastoma no Hospital Santa Marcelina/TUCCA:

  • 40% dos casos são hereditários
  • 90% dos pacientes têm chances de cura quando o problema é detectado cedo
  • 50% das ocorrências da doença ainda são diagnosticadas tardiamente
  • 11% de casos neoplásicos
  • 3ª maior incidência do tipo de câncer
  • Meninos 122 | Meninas 101
  • Média de idade ao diagnóstico: 1 ano e 6 meses
  • Média entre os primeiros sinais e sintomas até o diagnóstico: 5 meses
  • Histórico de câncer na família: 65% Sim | 35% Não

Por SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Confira a matéria completa em: https://goo.gl/gVRUim

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