Tirar uma foto com flash pode detectar tumor ocular mais comum na infância

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De VivaBem, em São Paulo 18/09/2020 11h00

Responsável por atingir cerca de 400 crianças por ano no Brasil, o retinoblastoma é o tumor ocular mais comum na infância, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Esse tipo de câncer pode causar cegueira e até levar à morte, atingindo, em sua maioria, crianças de 0 a 5 anos —sendo que 90% dos casos ocorrem em crianças com até 4 anos de idade.

Além disso, o número de crianças identificadas tardiamente com o problema, quando a doença já está em um estágio avançado, ainda é muito alto no país, cerca de 50%, o que reduz as chances de tratamento e cura do tumor. O que pouca gente sabe é que se a doença for diagnosticada precocemente pode ter cura em até 100% dos casos.

Por iniciativa da Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer), 18 de setembro foi instituído como o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma. O diagnóstico precoce é fundamental para preservar a visão e a vida da criança acometida por esse câncer.

Sintomas e diagnóstico

O retinoblastoma se desenvolve na retina, localizada na parte posterior de olho. A doença é mais comum em bebês e crianças pequenas. Raramente é diagnosticado em crianças com idade acima de 6 anos. Se diagnosticada precocemente, as chances de cura são de 90%.

No entanto, se a doença já estiver disseminada no olho esse percentual cai de forma acentuada. De caráter hereditário ou não, ocorre por meio de mutação em um gene no cromossomo 13. Pode afetar os dois olhos ou apenas um deles.

O principal sintoma do retinoblastoma é a leucocoria, presente em 90% dos casos. A leucocoria é caracterizada por um reflexo branco na pupila, conhecido como reflexo do olho de gato. Essa mancha esbranquiçada indica que uma fonte luminosa está incidindo sobre a superfície do tumor e impede a passagem de luz. Sem a passagem de luz, as vias óticas para o centro da visão no cérebro não se desenvolvem e atrofiam.

Esse reflexo branco, muitas vezes, só é notado sob luz artificial, quando a pupila está dilatada, ou em fotos, quando o flash bate sobre os olhos. Nos olhos saudáveis, esse reflexo é sempre vermelho. Outros sintomas que podem aparecer são estrabismo, vermelhidão, deformação do globo ocular, baixa visão e dor ocular.

Por isso, é extremamente importante que, ao perceberem qualquer anormalidade nos olhos do filho, os pais procurem um médico o quanto antes. O diagnóstico precoce possibilita o tratamento adequado e aumenta as possibilidades de preservar a visão e a vida da criança acometida pela doença.

O teste do olhinho deve ser realizado logo após o nascimento do bebê e periodicamente até os cinco anos, faixa etária mais atingida pela doença. O teste é simples e pode detectar qualquer alteração no eixo visual, levantando a suspeita da existência de um tumor, que pode ser confirmado pelo exame de fundo de olho. Além do retinoblastoma, o exame pode detectar outras doenças, como catarata e glaucoma congênito.

Depois, exames de fundo do olho e de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética nuclear completam o diagnóstico.

Tratamento menos invasivo

A quimioterapia intra-arterial é uma técnica minimamente invasiva que tem se mostrado bastante efetiva no tratamento do retinoblastoma.

A técnica é conhecida no tratamento de tumores gástricos, de pâncreas, de cabeça e pescoço, e tornou-se uma alternativa muito eficaz no tratamento do retinoblastoma, pois tem menos efeitos colaterais e possibilita salvar o olho da criança, além de sua visão. Infelizmente, muitos casos ainda são diagnosticados tardiamente, levando à enucleação (retirada do olho) ou até a morte.

A técnica pode ser considerada bem menos agressiva quando comparada ao tratamento convencional do retinoblastoma, pois por estar em contato direto com a artéria que nutre o olho, o que permite a administração de doses muito menores de medicamentos. Dessa forma, os efeitos colaterais são mínimos.

De acordo com Sidnei Epelman, presidente da Tucca, oncologista pediatra e diretor do serviço de oncologia pediátrica do Hospital Santa Marcelina (SP), devido ao diagnóstico tardio em muitos casos, a medida mais comum para tratar o tumor é a enucleação.

“A quimioterapia intra-arterial traz a possibilidade de salvar o olho do paciente, a visão e ainda erradicar o retorno do tumor. É um privilégio ter a possibilidade de conseguir não só curar, mas salvar o olho da criança”, completa.

O percentual de olhos salvos com a utilização dessa técnica que é da ordem de 70%, o que comprova a eficácia do tratamento.

Notícia original em: UOL

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