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    O tratamento dos tumores cerebrais geralmente segue um protocolo, ou seja, uma rotina pré-estabelecida. Os diversos protocolos variam fundamentalmente com a idade do paciente, o grau de ressecção cirúrgica e o exame histológico do tumor. Existem três principais abordagens terapêuticas para o câncer na infância: a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia. De acordo com a idade do paciente, o tipo de tumor e seu estadiamento, utiliza-se um tratamento ou a associação de mais de um deles. |
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    O tratamento dos tumores cerebrais geralmente começa com algum tipo de cirurgia para remoção de todo o tumor ou ao menos de parte dele. A retirada de apenas uma pequena parte - uma biópsia - geralmente é realizada quando o tumor é inoperável ou quando a cirurgia precisa ser adiada. A retirada completa é sempre o ideal, mas se isso não é possível, os sintomas podem ser aliviados pela retirada parcial da massa tumoral. As técnicas cirúrgicas evoluem rapidamente e tumores considerados inatingíves no passado podem ser removidos totalmente hoje em dia. Aparelhos de ultra-som, de leitura óptica tridimensional, laseres e outros equipamentos auxiliam o cirurgião a atingir áreas de difícil acesso. A extensão da remoção cirúrgica e a análise que os patologistas fazem, determinando os tipos e o comportamento das células envolvidas, são fundamentais para a definição do tratamento e do prognóstico.     A realização da remoção total de um tumor cerebral encontra a maior dificuldade na delicadeza e na importância dos tecidos envolvidos. Como dissemos anteriormente, o tecido nervoso não se regenera e cada região do cérebro possui funções muito específicas. No momento de se avaliar uma cirurgia não se pode deixar de levar em conta os danos, as seqüelas que ela poderá causar. Todos os riscos devem ser cuidadosamente analisados. A remoção total a qualquer preço muitas vezes não é a melhor escolha.     A cirurgia pode ser curativa, mas geralmente é seguida por radioterapia ou quimioterapia, especialmente nos casos de tumores malignos.
    O objetivo da radioterapia é a destruição das células doentes através da aplicação de raios X em doses diárias, durante várias semanas. O número de aplicações e as doses de radiação variam de acordo com a idade do paciente, com o tipo de tumor e com a finalidade da terapia. Esta forma de terapia, infelizmente, não diferencia as células normais das tumorais. Observa-se, então, danos aos tecidos próximos do tumor. Para evitá-los, utilizam-se protetores especiais de chumbo e fazem-se marcas com tinta na pele para delimitar a área a ser irradiada. Em relação aos efeitos sistêmicos, pode ocorrer destruição de células do sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo, inchaço cerebral, perda localizada de cabelos, náuseas e vômitos. Hesita-se em utilizar a radioterapia em crianças muito pequenas, por que este é um estágio crítico no desenvolvimento cerebral. Ultimamente novas técnicas quimioterapiaterápicas vêm sendo procuradas para substituir o uso da radiação quando necessário. Outras formas de radioterapia também têm sido pesquisadas, sempre com o objetivo de diminuir a exposição do paciente aos raios X, sem que haja perda de eficácia. Entre elas estão a radioterapiacirurgia estereotática e a braquiterapia intersticial. Infelizmente suas indicações são restritas. Estas técnicas não são úteis em casos de tumores infiltrativos ou maiores que uma noz.     Embora a radioterapia tenha como alvo principal os tumores malignos, vem sendo indicada com mais freqüência nos casos de tumores benignos inacessíveis ou localizados em regiões como o tronco cerebral, aonde a cirurgia pode trazer muitos danos.
    A quimioterapia é a utilização de medicamentos para destruir as células tumorais e diminuir seu número. Pode ser utilizada antes ou depois da cirurgia ou radioterapia. O mecanismo de ação das drogas quimioterapiaterápicas baseia-se no fato de que as células tumorais multiplicam-se rapidamente. Bloqueando-se sua multiplicação, o tumor tende a diminuir progressivamente até desaparecer. Como a radioterapia, a quimioterapia não é capaz de selecionar as células tumorais. Todas as células que se dividem com freqüência são afetadas. Este fato gera os efeitos colaterais da terapia. Observa-se, assim, náuseas, vômito, perda de cabelo (alopécia), fadiga, infecções, sangramento, aftas e lesões na mucosa da boca (mucosite). Todos estes sintomas desaparecem com o fim do tratamento, mas enquanto existirem os médicos procurarão orientar remédios ou dietas.     Alguns exames são utilizados para monitorar os efeitos indesejáveis das drogas. O mais comum é o hemograma, que analisa as células do sangue. Todos possuimos glóbulos vermelhos, as hemáceas, responsáveis pelo transporte de oxigênio dos pulmões para os diversos órgãos e tecidos; glóbulos brancos, os leucócitos, que fazem a defesa do organismo contra infecções; e plaquetas, envolvidas na coagulação sangüínea. Estas células possuem uma grande velocidade de divisão e estão sempre se renovando. No momento em que a quimioterapia faz com que a divisão celular geral diminua seu ritmo, o número de células sangüíneas circulantes cai. Observaremos anemia por falta de hemáceas, o que causa fadiga, cansaço. O paciente fica mais sujeito a infecções devido à leucopenia, que é a diminuição dos leucócitos. A possibilidade de sangramento aumenta em decorrência do menor número de plaquetas, a plaquetopenia. O paciente realiza hemogramas com freqüência e, se os números de células abaixam muito, elas podem ter que ser repostas através de transfusões. Os médicos monitoram cuidadosamente a administração das drogas tentando minimizar os efeitos indesejáveis. Por outro lado, os pesquisadores procuram desenvolver novas drogas mais eficazes e que tenham menos efeitos colaterais.     As drogas podem ser administradas por via oral, intramuscular ou intratecal (no líquor), mas, em sua maioria, requerem a via intravenosa. Se a quimioterapia vai se extender por um longo período ou quando as veias não são facilmente puncionáveis, pode ser indicada a implantação cirúrgica de um aparelho, o cateter. O cateter é uma sonda colocada embaixo da pele do paciente. Uma extremidade é implantada em um grande vaso sangüíneo, perto do coração e a outra fica na região subcutânea como um reservatório de borracha ou fora da pele, coberta por curativos. Através dele podem ser administrados quimioterapiaterápicos, antibióticos ou transfusões e coletado sangue para exames laboratoriais. Isso evita que a criança sofra com repetidas picadas de agulha.
    O líquor céfalo-raquidiano que se acumula quando sua drenagem natural é interrompida causa sintomas desagradáveis. Muitas vezes há necessidade de aliviar cirurgicamente este acúmulo, através da colocação de uma válvula. Este instrumento é um tubo flexível. Uma de suas extremidades é implantada no cérebro e a outra vai, por baixo da pele ou por dentro de uma veia, para a cavidade abdominal ou para o coração. A drenagem do líquor fica, deste modo, restabelecida e ele será absorvido ou filtrado na corrente sangüínea. O uso de esteróides é freqüente para aliviar o edema (inchaço) ou a inflamação comumente causados pela cirurgia ou pela radiação. Esta droga melhora as dores de cabeça, os vômitos e as náuseas. Não é, entretanto, desprovida de efeitos colaterais. Podemos observar elevação da pressão sangüínea, mudanças de humor, maior suscetibilidade a infecções, aumento do apetite, inchaço do rosto, retenção de fluidos e aumento da pilificação. Tão logo seu uso seja desnecessário, estas drogas serão gradativamente retiradas. O Futuro     Como você deve ter percebido, apesar das chances de cura serem boas, o tratamento do câncer cerebral é difícil e longo. Não hesite em comunicar qualquer efeito que observe. O seu médico, auxiliado por nutricionistas, enfermeiras e psicólogas, fará o possível para orientá-lo. O desejo de todos é que o tratamento de seu filho seja o mais suave possível.     Novas técnicas terapêuticas estão sendo investigadas e desenvolvidas. Esperamos encontrar: cirurgias menos agressivas, novos quimioterapiaterápicos, mais eficazes e que tenham menos efeitos colaterais, drogas que induzam o sistema munológico a destruir as células tumorais e terapias genéticas. Nós que fazemos parte da TUCCA esperamos contribuir para |
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